sexta-feira, 31 de outubro de 2008

SEQÜESTRO RELÂMPAGO


A advogada Luciana Vilar, 27 anos, tomava água de coco no Jardim dos Namorados, em uma sexta-feira por volta das 16 horas, quando foi abordada por seqüestradores ao retornar à seu veículo. Dois homens armados a renderam. Ela levava em sua bolsa apenas 10 reais, o celular e a carteira de habilitação.

 “Na ocasião do seqüestro não acreditei que isto estava acontecendo comigo... mantive a calma o tempo todo. Quase entrei em pânico quando eles pegaram a BR 324. Foram duas horas de tortura e o carro estava em alta velocidade. Os vidros escuros do veículo, ao invés de me ajudarem, acabaram me prejudicando, pois não tinha como acenar por socorro”.


Ela foi liberada ilesa duas horas depois e o veículo levado pelos sequestradores. “Tive muita sorte, pois não possuia em mãos cartões de crédito, talão de cheques nem dinheiro...”, concluiu.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que o seqüestro relâmpago é um crime muito comum nos grandes centros urbanos e interiores dos estados brasileiros. Tornou-se um modismo entre os marginais. As vítimas, após seqüestradas, são mantidas por um curto espaço de tempo com os bandidos (algumas horas), o que parece uma eternidade para quem está sob ameaça.

Artimanhas dos bandidos - Os alvos preferidos dos bandidos são mulheres, idosos e pessoas sozinhas. Eles apossam-se dos cartões magnéticos, cheques assinados, dinheiro, jóias e, geralmente, as pessoas são agredidas e seus familiares ameaçados.


As abordagens acontecem, usualmente, quando o indivíduo está embarcando em seu veículo estacionado em via pública e, principalmente em locais de pouco movimento, mal iluminados e nas proximidades das favelas.

O tempo que elas permanecem com os seqüestradores é, geralmente, apenas o necessário para que façam saques e compras com os seus cartões de crédito.


Ocorrem, também, quando está chegando em casa e se preparando para colocar o veículo na garagem; e nas paradas a fim de discutir pequenas “batidinhas” com veículos - feitas de propósito pelos infratores -, principalmente à noite.


Os sequestradores também atacam quando alguém transita sozinho por ruas de pouco movimento, ao chegar em suas residências, não observando a presença de gente estranha próxima do portão e ao procurar caixa eletrônico para fazer saques, sem verificar a existência de suspeitos nas proximidades.


O Centro de Documentação e Estatística Policial (CEDEP), da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, informou que, entre janeiro e julho de 2008, foram registrados 11 ocorrências na capital baiana e uma na Região Metropolitana de Salvador.

Box/Quadro
Para evitar a ocorrência desse tipo de delito, a Secretaria de Segurança Pública fornece algumas recomendações:


COMO EVITAR:

• Sempre que possível, mudar os caminhos e horários habituais;

• Procurar observar, antes de sair ou entrar em casa, se não há pessoas estranhas nas proximidades ou reparos (água, luz, telefone etc.) intermináveis. Na dúvida, não entrar ou sair. Ligar para a polícia;

• Evitar ostentar riqueza, especialmente por meio de seu veículo;

• Não comentar publicamente valores de seus bens ou planos de viagens, negócios etc. Os seqüestradores podem chegar à fila do shopping e começar a puxar papo e depois seguir você e atacar;

• Suspeitar de telefonemas desconhecidos ou pesquisas solicitando informações sobre moradores ou hábitos da casa. Instruir crianças e funcionários a não comentarem nada (rotina, hábitos etc.);

• No caminho do trabalho, procurar memorizar postos policiais do percurso. Em caso de perseguição, se dirigir a um;

• Evitar parar em locais pouco movimentados e mal iluminados;

• Observar se não está sendo seguido e se não há veículos estranhos parados em sua rua, com pessoas desconhecidas;

• Ficar atento nos cruzamentos; nunca encostar no carro da frente (pare em uma distância em que seja possível enxergar pelo menos parte do pneu do carro da frente). Evitar as faixas das extremidades e a primeira fila de veículos. Mantenha a atenção e portas e vidros fechados;

• À noite, ao se aproximar do farol, reduzir a velocidade, para dar tempo de o sinal ficar verde sem ter que parar seu veículo;

• Ao descer do veículo ou entrar nele, verificar se não está sendo observado. As vítimas costumam ser atacadas no momento do embarque ou desembarque (atenção para abrir/fechar portão, colocar o cinto etc.);

• Evitar levar na carteira vários cartões de banco, talões de cheque (fique com folhas avulsas) e senhas eletrônicas anotadas. Levar consigo pequenas quantias em dinheiro e ter sempre dinheiro trocado que possa ser entregue ao ladrão;

• Quando sair do banco ou do caixa eletrônico, verificar sempre se você não está sendo seguido;


COMO PROCEDER SE VOCÊ FOR VÍTIMA:

• Caso seja abordado, manter a calma e seguir as instruções dos seqüestradores;

• Não reagir; Manter as mãos no volante e tentar comunicar-se, indicando claramente o que vai fazer. Por exemplo, se for tirar o cinto, avise: “Vou tirar o cinto com esta mão, posso?”;

• Jamais ameace um seqüestrador;

• Não tentar fugir;

• Não se curvar totalmente aos seqüestradores, ou seja, não demonstrar ter medo, a ponto de eles acharem que você é muito frágil. Mas também não os subestime e não seja audacioso.

• Ficar calmo e tentar ser flexível e ter em mente que o seqüestro vai durar algumas horas, mas que eles só querem o dinheiro, na maioria dos casos.






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