terça-feira, 4 de novembro de 2008

FILME: A GOVERNANTA POR LUCIANO LUCCI RAMOS



A fotografia do filme é belíssima. Retrata bem os ambientes cenográficos, oferece bastante contraste proporcionando uma luz suave principalmente nas cenas em que é utilizada a luz de velas. Com o movimento das chamas, a suavidade da luz ganha o clima real e fiel do que os olhos vêem. Na primeira cena do filme, uma luz direta ou frontal, mostra com esplendor o elenco. Durante a projeção do filme observamos uma variedade de luz como a contraluz na cena em que a personagem Rosina caminha ao longe na praia com Clementina, formando uma linda silhueta fotográfica.


A maior parte do filme tece por uma luz difusa/suave usando a luz de maneira indireta, contrastando com as sombras, como nas cenas em que os personagens criam um cenário fotográfico com frutas e uma asa branca de pombo, formatando as áreas de sombras com uma iluminação lateral. A natureza morta traz um clima soturno e uma luz lateral alivia a cena. Em alguns closes há uma luz semi-difusa; e na cena em que as duas personagens estão brincando no campo, a luz “dura “ aparece de forma irrefutável.


O filme trata bem de um momento da fotografia no século XIX. O fazer fotográfico, como compor, como fotografar, as lentes, a fixação e a luta para dominar uma nova linguagem. Mas é salutar ver o desenvolvimento técnico da fotografia tratado, pelo menos no filme, de forma historicamente correta. É de fundamental importância a aula de fotografia que serve de pano de fundo para um filme romântico.


Rosina vai trabalhar como governanta para uma afortunada família, numa ilha da Escócia. Após a difícil adaptação, ela consegue conquistar a confiança da mimada Clementina, filha do casal, e do próprio patrão, um pesquisador na área de fotografias. Seu conhecimento e interesse pela ciência fazem com que ela se torne sua assistente.


Os dois começam a explorar esta nova arte, transformando este entusiasmo em uma paixão incontrolável. Quando Henry, o filho mais velho, é expulso da universidade e retorna para casa, logo se apaixona por Rosina, sem saber que ela é amante do seu pai, e a atração e curiosidade que Henry sente torna-se um perigo para Rosina, ameaçando seus segredos. Uma cena, em particular, onde é mencionado o nome de Louis-Jacques Mandé Daguerre, quando Rosina comenta com Charles Cavendish no laboratório “O que o Sr. Daguerre pensaria...?”.


O final também fecha com chave de ouro, em uma cena memorável, quando a câmera vai se aproximando do rosto da personagem, formando um belo close com uma luz frontal suave deixando os olhos da personagem expressivos e pungentes, retratando os seus sentimentos.








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