quinta-feira, 5 de março de 2009

CONTROLE DA MÍDIA NO REGIME MILITAR


Vladimir Herzog, jornalista e cineasta, nascido na Iugoslávia, veio para o Brasil, fugindo do nazismo, para ser torturado e morto no quartel militar no dia 25 de outubro de 1975, durante a ditadura.

João Batista de Andrade, Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, e que foi colega de trabalho de Herzog, fez um documentário onde deixa as marcas da crueldade e injustiça que dominavam o Brasil nos anos 60 e 70.

Casos emblemáticos como o do jornalista e cineasta não são muito simples por estar relacionado a combinação de fatos históricos.

A repressão da ditadura em 1975 não era tão forte como havia sido em 1968, logo após a promulgação do AI-5 (Ato Institucional nº 5) que, particularmente, já não havia a luta armada que fazia oposição ao regime de forma também muito violenta e com o objetivo de implantar uma ditadura socialista no país.

Naquele 25 de outubro não se imaginava que um grande e respeitado jornalista, que trabalhava em uma emissora estatal e intelectual de esquerda, apaixonado por cinema, militante comunista ligado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), fosse torturado até a morte brutal, com requintes de crueldade.

João Batista tenta reconstruir num documentário (Vlado, 30 anos depois), como Herzog foi morto naquela fatídica noite, lembrando que ainda existem perguntas não respondidas sobre o caso.

No filme-documentário, podemos perceber que um homem representou muito, não só para a imprensa brasileira como para o fim da ditadura no Brasil.

A morte de Vlado ocorreu num momento de grande tensão na política brasileira, quando houve um acirramento na luta interna de duas facções militares: de um lado, os Generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva; do outro, os representantes da repressão.
O documentário mostra testemunhas de uma época obscura, mostrando imagens de líderes religiosos com atos ecumênicos, que representam toda a sociedade pedindo paz.

A manipulação das notícias jornalísticas de um país sob o regime militar que ficou “proibido” de noticiar sobre fatos que mostrassem a realidade brasileira, incluindo um aviso veiculado pela TV Cultura sobre o surto de meningite à população brasileira onde alertava sobre o perigo da doença.

Houve ameaça por parte do regime militar quanto à veiculação do aviso pela TV Cultura que tornou-se alvo de perseguições por tentar mostrar a realidade brasileira, acusando o aviso de ser produto da subversão.

Os militares fazem sua caçada entre os jornalistas tentando mostrar que o país estava minado pelos comunistas, com a conivência do Governo Federal, ocasião em que vários jornalistas foram presos, ou melhor, seqüestrados, sob a alegação de serem subversivos, e torturados por serem intelectuais preocupados em discutirem o destino do Brasil.

Vlado se torna, assim, um símbolo da luta democrática no Brasil.








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