quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1967 O ANO DA PSICODELIA


A “alegria alegria” dos anos 60, o psicodelismo dos jovens que caminhavam contra o vento sem documento em busca de uma democracia mais justa. A roda viva dos sonhos e conquistas batiam de frente com os grandes festivais de música, quebrando o violão para lograr o respeito.

E para dizer que eu não falei das flores, o movimento “flower power” era símbolo da ideologia da não-violência, slogan este que os hippies traduziam para o mundo em formato de “love” .

O ano de 1967 foi escolhido para estabelecer a força das flores de uma forma iconoclasta da política mundial. Domingo no Parque era o passeio tropicalista predileto da moçada que destacadamente tinha os seus ideais de esquerda revolucionária. As manifestações tradicionais dos grandes compositores e intérpretes traziam em suas canções críticas à ditadura militar. O revolucionário socialista Che Guevara é executado por ordem dos serviços secretos norte-americanos que no espaço viraram estrelas literalmente com o Apollo 1.

Na terra o primeiro transplante de coração humano acontecia na África do Sul: foram apenas 18 dias de gloria. A consolidação democrática pós II Guerra Mundial perdia o primeiro chanceler da República Federal da Alemanha Rhöndorf, Konrad Adenauer.

No cinema Glauber Rocha construía de uma forma estética com um conteúdo magistral “Terra em Transe, que apresentava as contradições do Brasil no ano de 1967. Na França, Catherine Deneuve transformava-se eternamente em a “Bela da Tarde” pelo mais controverso cineasta do mundo Luis Buñuel. Estreava nos cinemas o filme tragicômico e com requintado suspense “A Dança dos Vampiros”, do franco-polonês Roman Polanski.

Na literatura, o jornalista Antonio Calado publicou a sua obra “Quarup”. Afinal, não adianta fugir para a selva pois a revolução de 1964 estava muito presente ainda. O escritor colombiano Gabriel García Márquez consolidava o “realismo mágico” com seu “Cem Anos de Solidão”.

Com a referência da música erudita e trazendo sonoridades indianas e dissonância vanguardista, o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, da banda inglesa The Beatles, é lançado no dia 1 de junho, citado como o melhor e mais influente disco da história do rock e da música. Foi um “estouro” como “giria” da meninada que não combinava com o “estouro” da guerra israel-árabe que ficou conhecida como Guerra dos Seis Dias, anexando a Faixa de Gaza.

Como tudo não é guerra, o Benfica conquista o titulo do Campeonato Nacional da Primeira Divisão, e o Acadêmica chorava as lágrimas amargas terminando a prova em segundo lugar. Já nas terras lusitanas, a vitória sorriu ao Vitória de Setúbal. No calor da noite em “Hollywood”, o Óscar brilhava com “O Homem que não Vendeu Sua Alma” como melhor filme. Mas com o filme, Quem Tem Medo de Virginia Woolf. Elizabeth Taylor conquista a noite elevando a sua estatueta dourada como a melhor atriz.

A religião tem a polêmica visita do Papa Paulo VI como “peregrino” em Fátima para as comemorações do 50º aniversário das aparições da santa. Era grande a consternação nas hostes dos chamados “católicos progressistas” portugueses. Eles temiam que a visita papal fosse motivo de quebra do isolamento internacional que desde o inicio da guerra da África o governo português estava sujeito, mostrando claramente que a visita era ao santuário e não ao Estado político.

Tudo é mutante quando da galáxia da música progressiva nasce “Os Mutantes”, seres musicalmente talentosos, discordando, assim, das novas diretrizes do chamado festival da MPB, ou seja, “nada de smoking”. Na teledramaturgia, a Rainha Louca e Os Fantoches hipnotizavam as donas de casa, afinal o AI-5, o mais duro golpe do regime militar, ainda não estava no horário nobre em suas residências. O histórico ano de 1967 ficou na memória daqueles que lutaram pelo liberalismo-democrático e glorioso para aqueles que nasceram na época.





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