domingo, 20 de maio de 2012

O QUE YEMANJÁ REPRESENTA PARA LUCIANO LUCCI RAMOS


"A mãe D’água, de beleza fascinante, voz maviosa, com seus longos cabelos negros e sua sedutora cauda de peixe, feiticeira marinha que dança nas águas verdes do mar, ela, Senhora da calunga, Yemanjá."

Luciano Lucci Ramos









É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.

DECLARAÇÃO DE LUCIANO LUCCI RAMOS SOBRE O FILME "A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ"



O que motivou a escolha desse tema é que sempre fui fascinado pela cultura afro-brasileira com os seus orixás, rituais, mistérios e, em especial, por Yemanjá. Procurei buscar informações sobre o Orixá e tive a idéia de contar a história da Casa de Yemanjá que, desde 1919, era conhecida como“Casa do Peso”, onde se pesavam os peixes. Por isso existem diferentes versões sobre o primeiro presente para Yemanjá.


No ano de 1923 houve uma escassez de peixes e por isso os pescadores foram pedir ajuda à mãe-de-santo conhecida como mãe Julia, que consultou os búzios e sugeriu que eles oferecessem presentes à Yemanjá. Os pescadores assim o fizeram. Desde o começo até os dias de hoje, a festa de Yemanjá sofreu algumas modificações como a introdução de rodas de capoeiras e afoxés e a presença de praticantes de outras religiões, como a católica. A interatividade entre a religião católica e o Candomblé – sincretismo - é fato desde a chegada dos escravos ao Brasil, quando estes, proibidos de praticar a sua religião, acabaram sendo obrigados a associar os orixás africanos aos santos católicos. A mesma tradição reúne admiradores e adeptos em Havana, Cuba, no dia 8 de setembro. Portanto, as versões diferentes sobre o primeiro presente aguçaram a minha curiosidade.


Quanto ao filme-documentário, o seu processo de produção traz um aprendizado de composição escrita e habilidades de comunicação e expressão textual, além de exercitar relações interpessoais e comunicação e expressão orais. Possibilitando a aproximação das pessoas à cultura do candomblé, estimulará o interesse pela história da Casa de Yemanjá, e, em paralelo, pelas manifestações religiosas, facilitando o processo de difusão cultural. Realizei um filme-documentário que permita mostrar, de forma clara, a história da Casa de Yemanjá, como e quando foi criado esse espaço que se destina ao culto da imagem da Rainha das Águas.


CARTAZ DO FILME DOCUMENTÁRIO "A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ" (2010)


FIGURA UTILIZADA NA FILMAGEM





É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.

AS GRAVAÇÕES DO FILME DOCUMENTÁRIO A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ



O PROCESSO DE GRAVAÇÃO (MAKING-OF)



Para serem realizadas as pautas dos entrevistados houve uma pesquisa curricular de cada participante, para que pudéssemos formular os questionamentos que seriam feitos aos próprios.

Foram gravadas imagens da igreja de Nossa Senhora de Santana, da Colônia de Pesca Z-01 (primeira colônia de pescadores de Salvador) e da Casa de Yemanjá, erguida em 1919, para guardar os objetos de trabalho dos pescadores e presentes da Mãe das Águas, posicionando-se, à sua frente, a estátua da rainha do mar.

A primeira pauta ficou com o historiador Ubaldo Porto Filho, no dia nove de março. As gravações ocorreram em sua residência, no bairro do Rio Vermelho, no horário das 7h30min às 11h30min. Em seguida, gravamos com o pescador veterano da Casa do Peso, Joaquim Manoel dos Santos, no mesmo local.

Gravamos também na Biblioteca Juraci Magalhães Jr., com a bibliotecária Sônia Morelli, responsável pelo acervo da Casa do Peso. Tivemos dificuldades nas gravações por causa do som dos carros da Av. Otávio Mangabeira. A solução foi gravar no salão de convenções da Biblioteca, das 8h às 10h30min.

O artista plástico Ed Ribeiro, responsável pelos mosaicos da Casa de Yemanjá. As gravações ocorreram em seu atelier, no bairro do Canela, das 11h às 12h30min.

Para cumprir a pauta com o artista plástico Ed Ribeiro, fizemos uma pesquisa sobre o artista, e em seguida, o contato e, após a confirmação, fomos ao atelier apresentar o roteiro. Ed Ribeiro ficou maravilhado após a leitura e disse pra nós que gravaria com todo o prazer, afinal ele é devoto de Yemanjá.

Com o professor Ubiratan Castro de Araújo, as dificuldades foram maiores, face aos problemas de saúde que ele vinha enfrentando, o que dificultava o cumprimento das pautas. Foram gravadas externas da Casa do Peso, aproveitando a pauta do professor Ubiratan, que foi transferida para outro dia.

No dia 18 de março, estávamos com a pauta para a gravação do professor Ubiratan Castro de Araújo, porém, no percurso para o seu escritório na Av. Sete de Setembro, novamente o meu celular tocou, com a secretária dele avisando que a gravação teria de ser transferida para o Pelourinho. Quando chegamos ao estacionamento, a secretária avisou que tínhamos de voltar para gravar no escritório da Av. Sete. Retornamos e gravamos às 09h, encerrando às 10h30min.

Foram gravadas imagens no terreiro de candomblé da mãe-de-santo Aice de Oxossi, onde tivemos a dificuldade do encontro por motivo de agenda pessoal. A entrevista estava marcada para o dia 23 de março, às 07h30min, e não pode ser cumprida. A solução foi utilizar a pauta do dia 25, que estava marcada com o artista plástico Marcelo Gato, das 7h30min às 9h30min e gravamos. Em seguida, fomos para a Casa do Peso com a dificuldade do trânsito e chuva na ocasião, para gravar com o artista plástico Marcelo Gato, que nos concedeu uma entrevista, avisando que posteriormente teria outro compromisso. As gravações começaram às 10h45min encerrando às 12h50min

No dia 24 de março tivemos pauta com Manoel do Bonfim, escultor da Mãe d’Água da 

Casa de Yemanjá. Essa fonte foi uma das mais difíceis, pelo estado de saúde do entrevistado e por ele ter afirmado categoricamente que não gosta de aparecer na mídia e principalmente dar entrevistas, mas sabendo do que se tratava, além de elogiar o tema do documentário, disse que faria com todo o prazer, por ter grande fé em Yemanjá. Ficou muito surpreso com o roteiro, dizendo que a Bahia merece saber dessa história. A gravação ocorreu em sua casa, no bairro da Boca do Rio, e teve início às 08h e finalizou às 11h30min.

Gravamos as externas utilizando uma linguagem fotográfica para as paisagens, fizemos externas no mar, pescadores, imagens de Yemanjá, oratório, gruta de Yemanjá, terreiro de candomblé, imagens do Dique do Tororó, Comércio, Itapuã, Rio Vermelho, Arembepe e Praia do Flamengo.

Como modelo fotográfico, utilizamos duas imagens feitas em resina com as características da Rainha das Águas (Yemanjá) e a Rainha das Águas Doces (Oxum). 

O processo de gravação das externas durou 10 dias, incluindo as viagens e os finais de semana.

Matérias jornalísticas sobre o assunto, da década de 20 até os dias atuais, foram pesquisadas nos arquivos de bibliotecas e utilizadas nas filmagens.

Os “OFFs” foram gravados na TV Aratu, com a narração da jornalista Marluccia Araújo. Pensamos em uma narração com uma dosagem poética e jornalística e ao mesmo tempo optamos por uma voz feminina, por ser Yemanjá uma Orixá mulher. As gravações dos “OFFs” no estúdio foram em três etapas. Começando numa segunda-feira e finalizando numa quarta-feira.



FORAM 18 MESES DE PRODUÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DA OBRA.
























FOTOS MAKING-OF







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sábado, 19 de maio de 2012

A VOZ DO AUTOR DO FILME A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ


"O filme documentário "A História da Casa de Yemanjá" tem uma voz fílmica, um estilo e uma natureza própria. É a impressão digital do cineasta ou diretor, ou seja, a assinatura. "


O formato escolhido para o vídeo documentário A História da Casa de Yemanjá é o expositivo, que tem como marca a autenticidade dos fatos e uma lógica informativa transmitida verbalmente de forma clara. Isto porque o documentário expositivo é o modo ideal de transmitir informações preexistentes no filme, fazendo com que aumente a reserva de conhecimento e do bom senso para a representação do mundo.



CARTAZ DO FILME DOCUMENTÁRIO "A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ" (2010)












É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.

FILME DOCUMENTÁRIO DE LUCIANO LUCCI RAMOS BASEADO NO DOIS DE FEVEREIRO


FILME DOCUMENTÁRIO DE LUCIANO LUCCI RAMOS BASEADO NO DOIS DE FEVEREIRO

O vídeo documentário foi baseado no livro Dois de Fevereiro no Rio Vermelho, de Ubaldo Marques Porto Filho, que resgatou a história da Casa do Peso, atual Casa de Yemanjá e a festa da mãe d’Água, desde o seu início, em 1924, sendo que a partir de 1959 ele esteve presente em todos os eventos. Isso o credenciou a escrever, com grande consistência, uma obra onde se pudesse conhecer a origem e a evolução da grandiosa festa que se realiza com um forte sincretismo religioso.


Destacou-se em temáticas-chaves envolvendo a história do bairro do Rio Vermelho, ritual do candomblé, Casa de Yemanjá, encontro inter-religioso, simbologias e o primeiro presente para a Rainha do Mar. Com esse livro, o autor desmistifica algumas versões fantasiosas que estavam gerando histórias distorcidas sobre as origens da festa de Yemanjá.



LUCIANO LUCCI RAMOS E UBALDO MARQUES PORTO FILHO

FOTOS "MAKING OF".













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sexta-feira, 18 de maio de 2012

FILME DOCUMENTÁRIO: A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ COM ROTEIRO, PRODUÇÃO E DIREÇÃO DE LUCIANO LUCCI RAMOS EM DVD


Trata-se do vídeo documentário etnográfico que descreve com a câmera a história da Casa do Peso, que se transformou na Casa de Yemanjá. Produzido e dirigido por Luciano Lucci Ramos, o roteiro conta com importantes depoimentos de historiadores, artistas, com participações da bibliotecária Sônia Morelli e do pescador veterano conhecido como Manteiga. O autor inspirou-se na obra do historiador baiano Ubaldo Marques Porto Filho, autor do livro Dois de Fevereiro no Rio Vermelho.


O filme documentário nos ajuda a conhecer e a compreender a fé na Mãe d’Água. A história da Casa do Peso, que se transformou em Casa de Yemanjá e adotada pela força do Candomblé e da Umbanda na Bahia. Além de trazer muitas informações sobre a primeira festa do dia dois de fevereiro, casas de culto, a história dos orixás e adeptos da crença. Vale lembrar que é uma história inédita, que até o presente momento não foi abordada pela imprensa televisiva. Todas as imagens do vídeo documentário são inéditas, com exceção de fotos históricas de arquivo.



CARTAZ DO FILME DOCUMENTÁRIO "A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ" (2010)












É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.

UMA PRODUÇÃO DOCUMENTÁRIA DE LUCIANO LUCCI RAMOS



Começamos aqui uma súmula dos conceitos sobre uma produção documentária, uma narrativa do modo de fazer cinema documentário. Encontramos uma forma didática para a representação documentária com um diversificado panorama sobre as principais questões do assunto escolhido – A História da Casa de Yemanjá – com ilustrações de arquivo e imagens de fundo inédito. Foi feita a contextualização com uma proposta formulada pelo autor Luciano Lucci Ramos e a sua visão determinada do assunto escolhido.

A afirmação de que a ficção possibilita a separação da realidade e o documentário é a não-ficção, ou melhor, a verdade propriamente dita, não é verdadeira. Existem formas que possibilitam a junção dos dois opostos, uma que a ficção faz parte do nosso imaginário. Fazer cinema-ficção é transformar a nossa imaginação em sensações de verdade. Nós ficamos com medo em filmes de terror, choramos em dramas, sorrimos com comédias e nutrimos uma sensação masoquista em um belo suspense. Com a não-ficção também isso pode ser possível!


Fazer um vídeo documentário é trazer autenticidade do tema escolhido, realismo, verossimilhança em suas histórias. Acreditamos que vemos naquilo que foi documentado um novo ponto de vista.
Quando acreditamos naquilo que foi visto em um vídeo documentário, tornamo-nos testemunhos da história projetada. Os depoimentos nos fazem perceber como é o mundo e ou a maneira como poderíamos agir nele. Vemos um mundo documental com suas imagens e depoimentos, daí percebemos um novo universo mais claro na nossa percepção.

Percebemos que os vídeos e filmes documentários nos mostram o mesmo fascínio e a mesma emoção que temos ao ver um filme de ficção. Fazer um documentário é dar voz própria às nossas ideias, é abordar assuntos de consenso ou solução social, enfatizando os problemas e as características do assunto abordado.

Qualquer filme é um documentário. Seja por satisfação de desejos, como os de ficção ou por representação social não-ficção, com suas histórias e narrativas que diferenciam a forma de mostrar a história. Os filmes de ficção expressam os nossos desejos e sonhos, temores e pesadelos. Transformam e concretizam de forma visível e auditiva a nossa imaginação. Faz-nos deliciar com a possibilidade de sair desse mundo que nos cerca para outros mundos.


Os documentários de não-ficção, como são chamados os de representação social, nos mostram de forma clara o mundo real que ocupamos e compartilhamos, restituindo de forma visível e audível a realidade social.

Com essas informações, registramos em um vídeo documentário a história da Casa de Yemanjá, com os seus pescadores e adeptos do Candomblé, a festa de dois de fevereiro, o presente da Mãe d‘Água, a peixaria da colônia Z-1 e o turismo em torno dos festejos de Yemanjá, no bairro do Rio Vermelho, que traduzem a força que Yemanjá tem na religiosidade e na cultura afro-brasileira, independentemente de posição social ou intelectualidade das pessoas.


CARTAZ DO FILME









É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.

FILME DOCUMENTÁRIO DO JORNALISTA LUCIANO LUCCI RAMOS ABORDA A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ (ANO DE PRODUÇÃO 2010)


Este produto é um vídeo documentário etnográfico, jornalístico, em formato de tela widescreen, com 52min, que conta a história da Casa de Yemanjá, localizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Mostra a relação entre a primeira festa da Mãe d’Água e o crescimento dos festejos de dois de fevereiro, e as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, desde o surgimento da Casa do Peso, à transformação em Casa de Yemanjá, até os dias atuais.

No ano de 2008, Yemanjá, que para o Candomblé é a deusa das águas e mares e mãe de quase todos os orixás, ganhou um presente do artista plástico Ed Ribeiro, que transformou as paredes da Casa de Yemanjá e da Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho, em um mosaico em azulejos, em homenagem à Rainha do Mar. A arte mostra características marinhas com a imagem de Yemanjá, peixes, barcos, estrelas do mar.

Até o presente momento, a Casa de Yemanjá não foi tombada como patrimônio histórico. Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), a Casa está numa área de domínio da União e seu valor é puramente sentimental, mas para ser tombada como patrimônio histórico é necessário que os responsáveis pela Colônia de Pesca Z-01, façam a solicitação.


Estes foram alguns questionamentos abordados no vídeo documentário: O que é a Casa de Yemanjá? Quando e como surgiu? Por que existem várias versões sobre a sua origem? Qual a função da Casa de Yemanjá para os pescadores e devotos? A Casa de Yemanjá influencia o comércio e o turismo? Como a Casa de Yemanjá é vista fora da Bahia? O que representa a Casa de Yemanjá para o bairro do Rio Vermelho? O que a Casa de Yemanjá representa para o Candomblé? A Casa de Yemanjá tornou-se um ponto turístico? A Casa de Yemanjá tem alguma norma de funcionamento? Qual? Quais as expectativas da Casa de Yemanjá para os próximos anos e o que pode mudar em relação aos festejos em homenagem à Yemanjá?


O que motivou a escolha desse tema é o fascínio pela cultura afro-brasileira, principalmente pelo Candomblé, seus orixás, rituais, mistérios e, em especial, por Yemanjá, que é cultuada e conhecida como a Rainha do Mar.

Procuramos buscar informações sobre a orixá e tivemos a idéia de contar a história da Casa de Yemanjá que, desde 1919, era conhecida como “Casa do Peso”, onde se pesavam os peixes. O tema poucas vezes foi abordado pela imprensa. Fizemos um estudo dos periódicos que cita a sua história e poucas informações obtivemos sobre a Casa do Peso. Encontramos muitas matérias de jornais que abordavam a festa do dia dois de fevereiro e a orixá Yemanjá. Uma matéria única da Tribuna da Bahia, publicada na edição de 14 de dezembro de 1970, contava a história da Casa do Peso, sem muitos detalhes. Achamos primordial abordar o tema com mais profundidade. Então mergulhamos nesse universo da Casa de Yemanjá, na Colônia de Pesca Z-01, para a produção de um vídeo documentário com mais detalhes.

Fomos à busca dos historiadores, para que pudéssemos colher mais informações sobre o tema abordado, e tivemos a satisfação de conhecer Ubaldo Marques Porto Filho, escritor e presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho e o Professor Ubiratan Castro de Araújo, que atualmente é diretor geral da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia.

O historiador Ubaldo Marques Porto Filho, escritor de vários livros, sobre o bairro do Rio Vermelho, foi o primeiro a contar a história da Casa do Peso em alguns dos seus livros, que contam a história da Bahia. Pioneiro na literatura técnica de turismo da Bahia, Ubaldo participou da fundação da sessão baiana da Associação Brasileira dos Jornalistas e Escritores de Turismo (ABRAJET). Foi presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho por 10 anos, desde a sua fundação. Dos principais livros lidos do escritor, destacamos: “Dois de Fevereiro no Rio Vermelho” e “Rio Vermelho, de Caramuru a Jorge Amado”. O autor participou do vídeo documentário com os seus depoimentos.




Participou também do vídeo documentário o professor Ubiratan Castro de Araújo. Ele é Licenciado em História pela Universidade Católica de Salvador, bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, doutor em História pela Université Paris IV – Sorbonne e mestre em História pela Université Paris X – Nanterre. Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais daquela Instituição, presidente da Fundação Cultural Palmares, e atual presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador, a quem tivemos a satisfação de entrevistar.



Contamos também com a participação do artista plástico Manoel do Bonfim no vídeo documentário, que foi funcionário da Escola de Belas Artes da UFBA e criador da estátua da Mãe d’Água da Casa de Yemanjá, inaugurada do ano de 1967.




Estivemos com a mãe-de-santo Valdelice Maria dos Santos, conhecida como mãe Aice de Oxossi, que é responsável pelo presente de Yemanjá para o dois de Fevereiro e também pela abertura da festa, começando na madrugada da mesma data, no Dique do Tororó. Gravamos no próprio terreiro da mãe-de-santo, ialorixá do terreiro Odê Mirim, no Engenho Velho da Federação.



Tivemos a oportunidade de gravar em uma área do terreiro onde existe a proibição por parte de pais e mães-de-santo. Não é permitido filmar ou fotografar sem a autorização dos mesmos, mas quando a ialorixá mãe Aice de Oxossi soube que se tratava de um vídeo documentário, ela abriu as portas do terreiro para filmagem e depoimentos. Finalizou que, para ela, a Casa de Yemanjá é de grande importância, por ser responsável pela entrega do presente da Mãe d’Água no dia dois de Fevereiro, na Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho.



FIGURA UTILIZADA NO FILME



É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CONTEÚDO DE TEXTO E FOTOGRAFIA, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR DA OBRA. PROTEGIDO PELA LEI 9.610/98.