sexta-feira, 18 de maio de 2012

FILME DOCUMENTÁRIO DO JORNALISTA LUCIANO LUCCI RAMOS ABORDA A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ (ANO DE PRODUÇÃO 2010)


Este produto é um vídeo documentário etnográfico, jornalístico, em formato de tela widescreen, com 52min, que conta a história da Casa de Yemanjá, localizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Mostra a relação entre a primeira festa da Mãe d’Água e o crescimento dos festejos de dois de fevereiro, e as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, desde o surgimento da Casa do Peso, à transformação em Casa de Yemanjá, até os dias atuais.


No ano de 2008, Yemanjá, que para o Candomblé é a deusa das águas e mares e mãe de quase todos os orixás, ganhou um presente do artista plástico Ed Ribeiro, que transformou as paredes da Casa de Yemanjá e da Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho, em um mosaico em azulejos, em homenagem à Rainha do Mar. A arte mostra características marinhas com a imagem de Yemanjá, peixes, barcos, estrelas do mar.

Até o presente momento, a Casa de Yemanjá não foi tombada como patrimônio histórico. Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), a Casa está numa área de domínio da União e seu valor é puramente sentimental,
 
mas para ser tombada como patrimônio histórico é necessário que os responsáveis pela Colônia de Pesca Z-01, façam a solicitação.


Estes foram alguns questionamentos abordados no vídeo documentário: O que é a Casa de Yemanjá? Quando e como surgiu? Por que existem várias versões sobre a sua origem? Qual a função da Casa de Yemanjá para os pescadores e devotos? A Casa de Yemanjá influencia o comércio e o turismo? Como a Casa de Yemanjá é vista fora da Bahia? O que representa a Casa de Yemanjá para o bairro do Rio Vermelho? O que a Casa de Yemanjá representa para o Candomblé? A Casa de Yemanjá tornou-se um ponto turístico? A Casa de Yemanjá tem alguma norma de funcionamento? Qual? Quais as expectativas da Casa de Yemanjá para os próximos anos e o que pode mudar em relação aos festejos em homenagem à Yemanjá?

O que motivou a escolha desse tema é o fascínio pela cultura afro-brasileira, principalmente pelo Candomblé, seus orixás, rituais, mistérios e, em especial, por Yemanjá, que é cultuada e conhecida como a Rainha do Mar.

Procuramos buscar informações sobre a orixá e tivemos a idéia de contar a história da Casa de Yemanjá que, desde 1919, era conhecida como “Casa do Peso”, onde se pesavam os peixes. O tema poucas vezes foi abordado pela imprensa. Fizemos um estudo dos periódicos que cita a sua história e poucas informações obtivemos sobre a Casa do Peso. Encontramos muitas matérias de jornais que abordavam a festa do dia dois de fevereiro e a orixá Yemanjá. Uma matéria única da Tribuna da Bahia, publicada na edição de 14 de dezembro de 1970, contava a história da Casa do Peso, sem muitos detalhes. Achamos primordial abordar o tema com mais profundidade. Então mergulhamos nesse universo da Casa de Yemanjá, na Colônia de Pesca Z-01, para a produção de um vídeo documentário com mais detalhes.

Fomos à busca dos historiadores, para que pudéssemos colher mais informações sobre o tema abordado, e tivemos a satisfação de conhecer Ubaldo Marques Porto Filho, escritor e presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho e o Professor Ubiratan Castro de Araújo, que atualmente é diretor geral da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia.

O historiador Ubaldo Marques Porto Filho, escritor de vários livros, sobre o bairro do Rio Vermelho, foi o primeiro a contar a história da Casa do Peso em alguns dos seus livros, que contam a história da Bahia. Pioneiro na literatura técnica de turismo da Bahia, Ubaldo participou da fundação da sessão baiana da Associação Brasileira dos Jornalistas e Escritores de Turismo (ABRAJET). Foi presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho por 10 anos, desde a sua fundação. Dos principais livros lidos do escritor, destacamos: “Dois de Fevereiro no Rio Vermelho” e “Rio Vermelho, de Caramuru a Jorge Amado”. O autor participou do vídeo documentário com os seus depoimentos.


Participou também do vídeo documentário o professor Ubiratan Castro de Araújo. Ele é Licenciado em História pela Universidade Católica de Salvador, bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, doutor em História pela Université Paris IV – Sorbonne e mestre em História pela Université Paris X – Nanterre. Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais daquela Instituição, presidente da Fundação Cultural Palmares, e atual presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador, a quem tivemos a satisfação de entrevistar.


Contamos também com a participação do artista plástico Manoel do Bomfim no vídeo documentário, que foi funcionário da Escola de Belas Artes da UFBA e criador da estátua da Mãe d’Água da Casa de Yemanjá, inaugurada do ano de 1967.


Estivemos com a mãe-de-santo Valdelice Maria dos Santos, conhecida como mãe Aice de Oxossi, que é responsável pelo presente de Yemanjá para o dois de Fevereiro e também pela abertura da festa, começando na madrugada da mesma data, no Dique do Tororó . Gravamos no próprio terreiro da mãe-de-santo, ialorixá do terreiro Odê Mirim, no Engenho Velho da Federação.


Tivemos a oportunidade de gravar em uma área do terreiro onde existe a proibição por parte de pais e mães-de-santo. Não é permitido filmar ou fotografar sem a autorização dos mesmos, mas quando a ialorixá mãe Aice de Oxossi soube que se tratava de um vídeo documentário, ela abriu as portas do terreiro para filmagem e depoimentos. Finalizou que, para ela, a Casa de Yemanjá é de grande importância, por ser responsável pela entrega do presente da Mãe d’Água no dia dois de Fevereiro, na Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho.


FIGURA UTILIZADA NO FILME



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