sábado, 29 de dezembro de 2012

FILME: A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ

O FILME A HISTÓRIA DA CASA DE YEMANJÁ - (2010)


Este produto é um vídeo documentário etnográfico, jornalístico, em formato de tela widescreen, com 52min, que conta a história da Casa de Yemanjá, localizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Mostra a relação entre a primeira festa da Mãe d’Água e o crescimento dos festejos de dois de fevereiro, e as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, desde o surgimento da Casa do Peso, à transformação em Casa de Yemanjá, até os dias atuais.


No ano de 2008, Yemanjá, que para o Candomblé é a deusa das águas e mares e mãe de quase todos os orixás, ganhou um presente do artista plástico Ed Ribeiro, que transformou as paredes da Casa de Yemanjá e da Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho, em um mosaico em azulejos, em homenagem à Rainha do Mar. A arte mostra características marinhas com a imagem de Yemanjá, peixes, barcos, estrelas do mar.


Até o presente momento, a Casa de Yemanjá não foi tombada como patrimônio histórico. Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), a Casa está numa área de domínio da União e seu valor é puramente sentimental, mas para ser tombada como patrimônio histórico é necessário que os responsáveis pela Colônia de Pesca Z-01, façam a solicitação.


Estes foram alguns questionamentos abordados no vídeo documentário: O que é a Casa de Yemanjá? Quando e como surgiu? Por que existem várias versões sobre a sua origem? Qual a função da Casa de Yemanjá para os pescadores e devotos? A Casa de Yemanjá influencia o comércio e o turismo? Como a Casa de Yemanjá é vista fora da Bahia? O que representa a Casa de Yemanjá para o bairro do Rio Vermelho? O que a Casa de Yemanjá representa para o Candomblé? A Casa de Yemanjá tornou-se um ponto turístico? A Casa de Yemanjá tem alguma norma de funcionamento? Qual? Quais as expectativas da Casa de Yemanjá para os próximos anos e o que pode mudar em relação aos festejos em homenagem à Yemanjá?




O MOTIVO

 
O que motivou a escolha desse tema é o fascínio pela cultura afro-brasileira, principalmente pelo Candomblé, seus orixás, rituais, mistérios e, em especial, por Yemanjá, que é cultuada e conhecida como a Rainha do Mar.


Procuramos buscar informações sobre a orixá e tivemos a idéia de contar a história da Casa de Yemanjá que, desde 1919, era conhecida como “Casa do Peso”, onde se pesavam os peixes. O tema poucas vezes foi abordado pela imprensa. Fizemos um estudo dos periódicos que cita a sua história e poucas informações obtivemos sobre a Casa do Peso. Encontramos muitas matérias de jornais que abordavam a festa do dia dois de fevereiro e a orixá Yemanjá. Uma matéria única da Tribuna da Bahia, publicada na edição de 14 de dezembro de 1970, contava a história da Casa do Peso, sem muitos detalhes. Achamos primordial abordar o tema com mais profundidade. Então mergulhamos nesse universo da Casa de Yemanjá, na Colônia de Pesca Z-01, para a produção de um vídeo documentário com mais detalhes.


Fomos à busca dos historiadores, para que pudéssemos colher mais informações sobre o tema abordado, e tivemos a satisfação de conhecer Ubaldo Marques Porto Filho, escritor e presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho e o Professor Ubiratan Castro de Araújo, que atualmente é diretor geral da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia.


O historiador Ubaldo Marques Porto Filho, escritor de vários livros, sobre o bairro do Rio Vermelho , foi o primeiro a contar a história da Casa do Peso em alguns dos seus livros, que contam a história da Bahia. Pioneiro na literatura técnica de turismo da Bahia, Ubaldo participou da fundação da sessão baiana da Associação Brasileira dos Jornalistas e Escritores de Turismo (ABRAJET). Foi presidente do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho por 10 anos, desde a sua fundação. Dos principais livros lidos do escritor, destacamos: “Dois de Fevereiro no Rio Vermelho” e “Rio Vermelho, de Caramuru a Jorge Amado”. O autor participou do vídeo documentário com os seus depoimentos.


Participou também do vídeo documentário o professor Ubiratan Castro de Araújo. Ele é Licenciado em História pela Universidade Católica de Salvador, bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, doutor em História pela Université Paris IV – Sorbonne e mestre em História pela Université Paris X – Nanterre. Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais daquela Instituição, presidente da Fundação Cultural Palmares, e atual presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador, a quem tivemos a satisfação de entrevistar.


Contamos também com a participação do artista plástico Manoel do Bomfim no vídeo documentário, que foi funcionário da Escola de Belas Artes da UFBA e criador da estátua da Mãe d’Água da Casa de Yemanjá, inaugurada do ano de 1967.


Estivemos com a mãe-de-santo Valdelice Maria dos Santos, conhecida como mãe Aice de Oxossi, que é responsável pelo presente de Yemanjá para o dois de Fevereiro e também pela abertura da festa, começando na madrugada da mesma data, no Dique do Tororó . Gravamos no próprio terreiro da mãe-de-santo, ialorixá do terreiro Odê Mirim, no Engenho Velho da Federação.


Tivemos a oportunidade de gravar em uma área do terreiro onde existe a proibição por parte de pais e mães-de-santo. Não é permitido filmar ou fotografar sem a autorização dos mesmos, mas quando a ialorixá mãe Aice de Oxossi soube que se tratava de um vídeo documentário, ela abriu as portas do terreiro para filmagem e depoimentos. Finalizou que, para ela, a Casa de Yemanjá é de grande importância, por ser responsável pela entrega do presente da Mãe d’Água no dia dois de Fevereiro, na Colônia de Pesca Z-01, no Rio Vermelho.




O VÍDEO DOCUMENTÁRIO


Os documentários de representação social são, segundo Nichols (2008), o que normalmente são chamados de não-ficção. Esses filmes representam, de forma tangível, aspectos de um mundo que já ocupamos e compartilhamos. Torna visível e audível, de maneira distinta, a matéria de que é feita a realidade social, de acordo com a seleção e a organização realizadas pelo cineasta. Expressam nossa compreensão sobre o que a realidade foi, é e o que poderá vir a ser.


O desenvolvimento do vídeo-documentário foi feito em três blocos, sendo dois de 10 min. e um de 12 min. Os entrevistados são a voz do saber, falam do que conhecem: a religiosidade, a festa do dia dois de fevereiro, a mãe d’Água, o Candomblé, os mitos africanos. Eles são a experiência e a vivência do assunto, sobre a qual fornecem informações imediatas; o sentido geral e profundo do tema.


A fala do locutor é a única em OFF com imagens de arquivo, o que informa ao espectador sobre os acontecimentos históricos da Casa. A relação que se estabelece entre os OFFs e os entrevistados é que estes funcionam como uma amostragem que exemplifica a fala do locutor e que atestam que seu discurso é baseado no real. Essa veracidade vem enriquecida com a presença de imagens fotográficas.


No documentário A Opinião Pública, de Arnaldo Jabor, realizado em 1967, é dada uma visão da classe média carioca, brasileira, da década de 60. Mostra uma juventude inerte e submissa que só pensam em “subir na vida”. No documentário, longa-metragem em cinema verdade, o diretor fez uma análise dos sentimentos e idéias da classe média brasileira, logo depois do golpe militar de 1964, deixando claro que a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, aplaudiu esse retrocesso histórico no país. Aí vem o misticismo, que é a solução final para os problemas de alienação numa sociedade manipulada por um processo político, com rezas, missas, macumbas e curandeirismo.


Jean-Claude Bernardet, em sua obra Cineastas e Imagens do Povo (2003), informa:


Para que o povo esteja presente nas telas, não basta que ele exista: é necessário que alguém faça os filmes. As imagens cinematográficas do povo não podem ser consideradas sua expressão, e sim a manifestação da relação que se estabelece nos filmes entre os cineastas e o povo. Essa relação não atua apenas na temática, mas também na linguagem.


São seis os modos de representação documental, segundo Nichols (2008), a saber:


• poético, que reúne fragmentos do mundo de modo poético, cujas deficiências são falta de especificidade, abstrato demais;


• expositivo, que trata diretamente de questões do mundo histórico e que tem por deficiência ser excessivamente didático;


• observativo, que evita o comentário e a encenação; observa as coisas conforme elas acontecem e cujas deficiências são falta de história e de contexto;


• participativo, que entrevista os participantes ou interage com eles, usa imagens de arquivo para recuperar a história e cujas deficiências são fé excessiva em testemunhas, historia ingênua, ser invasivo demais;


• reflexivo, que questiona a forma do documentário, tira a familiaridade dos outros modos, cujas deficiências são abstratos demais, perda de vista das questões concretas; e, por último, o


• performático, que enfatiza aspectos subjetivos de um discurso classicamente objetivo e que tem por deficiências a perda de ênfase na objetividade, o poder de relegar esses filmes à vanguarda e o uso “excessivo” de estilo .


Cada documentário tem uma voz fílmica, um estilo e uma natureza própria. É a impressão digital do cineasta ou diretor, ou seja, a assinatura.


O formato escolhido para o vídeo documentário A História da Casa de Yemanjá é o expositivo, que tem como marca a autenticidade dos fatos e uma lógica informativa transmitida verbalmente de forma clara. Isto porque o documentário expositivo é o modo ideal de transmitir informações preexistentes no filme, fazendo com que aumente a reserva de conhecimento e do bom senso para a representação do mundo.





O primeiro bloco do vídeo documentário abre com a seguinte frase do autor:


“A Mãe d’Água, de beleza fascinante, voz maviosa com seus longos cabelos negros e sua sedutora cauda de peixe, feiticeira marinha que dança nas águas verdes do mar, ela, Senhora da calunga Yemanjá.”


Em seguida, um depoimento sobre o mito da sereia e da representação do orixá Yemanjá para os pescadores. Na seqüência, demos inicio à história da Casa de Yemanjá: como e quando surgiu; o que a Casa representa para o bairro do Rio Vermelho; o significado da Casa para os adeptos do Candomblé e pescadores; o conflito dos pescadores com a igreja católica; a construção da Casa do Peso; os mitos que criaram em torno do primeiro presente que deu origem à festa de dois de fevereiro; e a influência da Casa de Yemanjá nos festejos no mar.


O segundo bloco mostra a ascendência da Casa de Yemanjá na religiosidade do local, o primeiro presente da Mãe d’Água e o inicio da festa de dois de fevereiro, a primeira notícia baiana sobre a festa de Yemanjá, a religiosidade na Casa do Peso, ou seja, a transformação no local sagrado dos adeptos do Candomblé, a construção da gruta de Yemanjá, o presente de Oxum no Dique do Tororó, o turismo na Casa de Yemanjá, as novas intervenções da nova Casa do Peso, as matérias de jornais de época e o depoimento do pescador Manteiga.


O terceiro bloco finaliza com as melhorias da Casa de Yemanjá no momento presente e no futuro; o tombamento, a documentação, ou seja, a escritura da casa, a estátua da Mãe d’Água e a história da construção, com o depoimento do artista plástico Manoel do Bomfim; a arte na Casa de Yemanjá com o mosaico e o novo projeto da estátua de Yemanjá; a administração da casa e as normas de funcionamento estabelecidas pelo Candomblé; como é feita a manutenção e o horário de visitas da casa; o acervo documental da Biblioteca Juracy Magalhães Junior, alusivos a Casa do Peso; a representação da festa para os devotos e o turismo, e das possíveis mudanças, suas influências religiosas, a continuação da devoção, o crescimento do turismo e comércio, além de imagens, fotos, depoimentos e texto.






O PROCESSO DE GRAVAÇÃO


Para serem realizadas as pautas dos entrevistados houve uma pesquisa curricular de cada participante, para que pudéssemos formular os questionamentos que seriam feitos aos próprios.


Foram gravadas imagens da igreja de Nossa Senhora de Santana, da Colônia de Pesca Z-01 (primeira colônia de pescadores de Salvador) e da Casa de Yemanjá, erguida em 1919, para guardar os objetos de trabalho dos pescadores e presentes da Mãe das Águas, posicionando-se, à sua frente, a estátua da rainha do mar.


A primeira pauta ficou com o historiador Ubaldo Porto Filho, no dia nove de março. As gravações ocorreram em sua residência, no bairro do Rio Vermelho, no horário das 7h30min às 11h30min. Em seguida, gravamos com o pescador veterano da Casa do Peso, Joaquim Manoel dos Santos, no mesmo local.


No dia 16 de março gravamos na Biblioteca Juraci Magalhães Jr., com a bibliotecária Sônia Morelli, responsável pelo acervo da Casa do Peso. Tivemos dificuldades nas gravações por causa do som dos carros da Av. Otávio Mangabeira. A solução foi gravar no salão de convenções da Biblioteca, das 8h às 10h30min.


Com o professor Ubiratan Castro de Araújo, as dificuldades foram maiores, face aos problemas de saúde que ele vinha enfrentando, o que dificultava o cumprimento das pautas. Conforme pauta marcada para a manhã do dia 10 de março, às 08h30min, a equipe, no trajeto da faculdade Estácio/FIB para o local de gravação, recebeu uma ligação telefônica pelo celular, com a desagradável noticia de que o professor havia passado mal e não poderia gravar. Foram gravadas externas da Casa do Peso, aproveitando a pauta do professor Ubiratan, que foi transferida para outro dia.


A gravação com o presidente Marcos Santos Souza, conhecido na colônia de pescadores Z-01 como Branco da Casa do Peso, teve inicio às 08h, finalizando às 11h15min. A gravação ocorreu no dia 17 de março, no mesmo local.


Na entrevista que foi realizada, o entrevistado foi evasivo nas respostas. Felizmente, não foi colocado na edição em virtude das informações prestadas não terem relevância no contexto. Além disso, outros depoimentos gravados com os entrevistados continham informações mais importantes que não poderiam deixar de integrar o vídeo, face ao curto espaço de tempo disponível. Foram substituídas as informações administrativas da casa, que são muito simples, por um OFF detalhado, explicando de forma concisa.


No dia 18 de março, estávamos com a pauta para a gravação do professor Ubiratan Castro de Araújo, porém, no percurso para o seu escritório na Av. Sete de Setembro, novamente o meu celular tocou, com a secretária dele avisando que a gravação teria de ser transferida para o Pelourinho. Quando chegamos ao estacionamento, a secretária avisou que tínhamos de voltar para gravar no escritório da Av. Sete. Retornamos e gravamos às 09h, encerrando às 10h30min. Logo em seguida, foi a vez de gravarmos com o artista plástico Ed Ribeiro, responsável pelos mosaicos da Casa de Yemanjá. As gravações ocorreram em seu atelier, no bairro do Canela, das 11h às 12h30min.


Para cumprir a pauta com o artista plástico Ed Ribeiro, fizemos uma pesquisa sobre o artista, e em seguida, o contato e, após a confirmação, fomos ao atelier apresentar o roteiro. Ed Ribeiro ficou maravilhado após a leitura e disse pra nós que gravaria com todo o prazer, afinal ele é devoto de Yemanjá.


No dia 24 de março tivemos pauta com Manoel do Bomfim, escultor da Mãe d’Água da Casa de Yemanjá. Essa fonte foi uma das mais difíceis, pelo estado de saúde do entrevistado e por ele ter afirmado categoricamente que não gosta de aparecer na mídia e principalmente dar entrevistas, mas sabendo do que se tratava, além de elogiar o tema do documentário, disse que faria com todo o prazer, por ter grande fé em Yemanjá. Ficou muito surpreso com o roteiro, dizendo que a Bahia merece saber dessa história. A gravação ocorreu em sua casa, no bairro da Boca do Rio, e teve início às 08h e finalizou às 11h30min.


Foram gravadas imagens no terreiro de candomblé da mãe-de-santo Aice de Oxossi, onde tivemos a dificuldade do encontro por motivo de agenda pessoal. A entrevista estava marcada para o dia 23 de março, às 07h30min, e não pode ser cumprida. A solução foi utilizar a pauta do dia 25, que estava marcada com o artista plástico Marcelo Gato, das 7h30min às 9h30min e gravamos. Em seguida, fomos para a Casa do Peso com a dificuldade do trânsito e chuva na ocasião, para gravar com o artista plástico Marcelo Gato, que nos concedeu uma entrevista, avisando que posteriormente teria outro compromisso. As gravações começaram às 10h45min encerrando às 12h50min.


Seguimos pessoalmente às locações, com material e câmera filmadora particulares. Gravamos as externas utilizando uma linguagem fotográfica para as paisagens, fizemos externas no mar, pescadores, imagens de Yemanjá, oratório, gruta de Yemanjá, terreiro de candomblé, imagens do Dique do Tororó, Comércio, Itapuã, Rio Vermelho, Arembepe e Praia do Flamengo.


Como modelo fotográfico, utilizamos duas imagens feitas em resina com as características da Rainha das Águas (Yemanjá) e a Rainha das Águas Doces (Oxum). O processo de gravação das externas durou 10 dias, incluindo as viagens e os finais de semana.


Matérias jornalísticas sobre o assunto, da década de 20 até os dias atuais, foram pesquisadas nos arquivos de bibliotecas e utilizadas nas filmagens.


Os “OFFs” foram gravados na TV Aratu, com a locução feminina. Pensamos em uma narração com uma dosagem poética e jornalística e ao mesmo tempo optamos por uma voz serena, por ser Yemanjá uma Orixá mulher. As gravações dos “OFFs” no estúdio foram em três etapas por motivo de tempo. Aproveitamos para gravar no intervalo das programações da emissora e com isso tivemos que fazer três visitas, começando numa segunda-feira e finalizando numa quarta-feira.

O vídeo documentário também contém:



• informações de como a Casa tornou-se um local sagrado, com um fluxo de visitantes e adeptos do culto dessa divindade do Candomblé que no Brasil é o único dos orixás a ter festa pública em sua homenagem;


• Com depoimentos de Ubaldo, Manoel do Bomfim, Aíce de Oxossi, Manteiga, Sônia Morelli, Ed Ribeiro, Marcelo Gato e Ubiratan Castro Araújo;


• Cor predominante azul turquesa, por ser a cor que representa o orixá;


• Trilha sonora com canções que possuem por referência o orixá Yemanjá, candomblé, umbanda e MPB.


Foram realizadas pesquisas nos seguintes Órgãos:


• Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)


• Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO)


• Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)


• Fundação Gregório de Mattos


• Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC)


• Biblioteca Juracy Magalhães Jr.




O PROCESSO DE DECUPAGEM E EDIÇÃO



Para o projeto documental, foram realizadas duas versões do vídeo documentário “A História da Casa de Yemanjá”. A primeira versão estendida foi de 52 min., que depois de pronta, foi decupada para 32min. A versão compacta de 32 min.


Quando finalizamos o vídeo documentário sobre o tema, houve uma proposta de exibição publica da versão estendida, na Biblioteca Juracy Magalhães Junior, para convidados, e depois ser aberto ao público durante uma semana. Tivemos também propostas para exibi-lo numa emissora de TV ligada à cultura. Para isso, vamos registrar todo o material e obter o direito autoral, por ter que assegurar a autoria da obra.




A DECUPAGEM


O processo de decupagem foi estabelecido por ordem de convidados, das entrevistas e do assunto abordado por blocos e títulos. Transferimos das fitas DV para DVD, que foram 16 fitas com uma hora de duração cada, para decupar. Como há necessidade de boa concentração para realizar a decupagem, optamos por fazê-lo à noite, ocupando as madrugadas com as anotações das deixas e os minutos e segundos anotados. Daí estabelecemos um roteiro de decupagem com todos os dados. O processo teve uma duração de quatro horas diárias, em média, iniciando no dia 29 de março e finalizando em 11 de abril.


A edição foi feita por etapas, conforme a finalização da decupagem, para manter uma organização previamente estabelecida por um roteiro. À medida que fazia uma, decupando por blocos, editávamos, mantendo, assim, a coerência do produto. A edição foi iniciada em 12 de abril e finalizada em 14 de maio.


A criação dos clipes, passagens, abertura dos créditos finais e dos OFFs foram inspiradas nos temas de narração e trilha sonora, para dar uma intimidade visual coerente com a sonorização.




ANÁLISE DIALÉTICA/HISTÓRICA DA CASA DE YEMANJÁ


O vídeo documentário foi baseado no livro Dois de Fevereiro no Rio Vermelho, de Ubaldo Marques Porto Filho, que resgatou a história da Casa do Peso, atual Casa de Yemanjá e a festa da mãe d’Água, desde o seu inicio, em 1924, sendo que a partir de 1959 ele esteve presente em todos os eventos. Isso o credenciou a escrever, com grande consistência, uma obra onde se pudesse conhecer a origem e a evolução da grandiosa festa que se realiza com um forte sincretismo religioso. Destacou-se em temáticas-chaves envolvendo a história do bairro do Rio Vermelho, ritual do candomblé, Casa de Yemanjá, encontro inter-religioso, simbologias e o primeiro presente para a Rainha do Mar. Com esse livro, o autor desmistifica algumas versões fantasiosas que estavam gerando histórias distorcidas sobre as origens da festa de Yemanjá.


a) Contribuição do material para o vídeo documentário


O material nos ajudou a conhecer e a compreender a verdadeira origem da festa do dia dois de fevereiro, com notícias da imprensa, depoimentos do único pescador vivo da época da primeira festa, historiadores e moradores da região que acompanham a festa desde o primeiro presente. No vídeo documentário focamos a origem e a história da Casa de Yemanjá, uma vez que o livro também tem como focos a origem de Caramuru e a história do bairro do Rio Vermelho, que não serão abordados no vídeo documentário.


Porto Filho (2009) afirma que a transformação da Casa do Peso na Casa de Yemanjá ocorreu em 1972, por iniciativa de Dorival Caymmi e Jorge Amado, com a intermediação do vereador Dário Valois dos Santos, junto à Prefeitura, na gestão de Clériston Andrade.


Existem diferentes versões sobre o primeiro presente para Yemanjá. Porto Filho (2009) declarou que o primeiro presente ocorreu em 1924. Entretanto, pescadores afirmam que o primeiro presente ocorreu em 1923, que foi considerado um ano de pescaria ruim, daí a oferenda a Yemanjá visando à superação da fase do peixe escasso.


Brandão (2006) também informa que em 1923 houve uma escassez de peixes e por isso os pescadores foram pedir ajuda à mãe-de-santo conhecida como Mãe Julia, que consultou os búzios e sugeriu que eles oferecessem presentes à Yemanjá. Os pescadores assim o fizeram.


Desde o início até os dias de hoje, a festa de Yemanjá sofreu algumas modificações, como a introdução de rodas de capoeira e afoxés, e a presença de praticantes de outras religiões, como a Católica.


A interatividade entre a religião Católica e o Candomblé – sincretismo – é fato desde a chegada dos escravos africanos ao Brasil, quando estes, proibidos de praticar a sua religião, foram obrigados a associar os orixás africanos aos santos católicos. A mesma tradição reúne admiradores e adeptos em Havana, Cuba, no dia oito de setembro, dia também destinado ao culto a Yemanjá.


Portanto, as diferentes versões sobre o primeiro presente aguçaram a nossa curiosidade para a produção do vídeo documentário, que envolveu uma pesquisa apurada sobre os festejos e a Casa de Yemanjá, transformada num local sagrado para os pescadores e adeptos do Candomblé e atração para os turistas, pela fama que a festa tem fora da Bahia.


O vídeo documentário também aborda a questão da religiosidade e o comércio, principalmente quanto à venda de peixes ao lado da Casa.


O processo de produção do vídeo documentário trouxe um aprendizado de composição escrita e habilidades de comunicação e expressão textual, além de exercitar relações interpessoais e comunicação e expressão orais.


O tema abordado, além de possibilitar a aproximação das pessoas à cultura do Candomblé, estimulará o interesse pela história da Casa de Yemanjá, e, em paralelo, pelas manifestações religiosas, facilitando o processo de difusão cultural.


Assistimos aos vídeos documentários Nascidos em Bordéis, dos diretores Zana Briski e Ross Kauffman; Lokí , de Paulo Henrique Fontenelle; A Opinião Pública e o Circo, de Arnaldo Jabor; Saravah, de Pierre Barouh; O Povo Brasileiro, de Isa Grinspum Ferraz; Evandro Teixeira Instantâneo da Realidade, de Paulo Fontenelle; Cuba Feliz, de Karim Dridi; Vlado 30 anos Depois, de João Batista de Andrade; Edifício Master, de Eduardo Coutinho; Pierre Verger Mensageiro Entre Dois Mundos, de Lula Buarque de Hollanda; e O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl.


Também assistimos à obra Cidade das Mulheres, documentário etnográfico que descreve com câmeras a vida digna e verdadeira das mulheres de terreiro da Bahia, conhecidas por mulheres do partido alto. Produzido e dirigido com maestria por Lázaro Faria, o roteiro conta com argumento e inspiração de Cléo Martins, baseado na obra da antropóloga norte-americana judia Ruth Landes, autora de “The City of Woman” (Cidade das Mulheres), que em 1939 esteve na Bahia pesquisando a raça negra e se surpreendeu com a força e a soberania do Candomblé. O filme documentário foi vencedor, em 2005, do prêmio “Tatu de Ouro” e do prêmio BNB.


b) Contribuição dos documentários assistidos para o vídeo


O material nos possibilitou um conhecimento e uma compreensão da força do Candomblé na Bahia, além de trazer muitas informações sobre festas de santo, casas de culto, a história dos orixás e adeptos da crença. Vale lembrar que a forma técnica e a edição das cenas nos inspiraram como modelo.


Sobre o livro de Vallado, concentramo-nos em cinco temáticas-chaves envolvendo Yemanjá: inicialmente, buscou-se as origens míticas deste orixá na diáspora africana para o Brasil e sua variação nas diversas religiões criadas em solo brasileiro; focalizou-se os ritos de iniciação, seus seguidores e comportamentos nos terreiros de Candomblé da Nação Ketu. O escritor se aprofundou no candomblé para traçar um perfil dos filhos de Yemanjá e dos símbolos que neles transparecem. Nesse livro também consta a observação das festas públicas de Yemanjá e, finalizando sua análise, consta a sua pesquisa de como não-iniciados e iniciados assimilam este orixá na cultura popular laica e nas religiões afro-brasileiras, respectivamente.


O material nos auxiliou a conhecer e a compreender a profundidade sobre um símbolo mais que religioso, que é capaz de sintetizar elementos da vida e da cultura de um povo que tem na imagem feminina de Yemanjá uma mistura de sensualidade e maternidade, a origem e o culto a Yemanjá.




COMO TUDO COMEÇOU


A história começou no largo de Santana, no ano de 1919. Ao lado da igreja de Santana, existia uma casa em que os pecadores pesavam o peixe. Por esse motivo era denominada Casa do Peso.


Segundo Porto Filho (2009) a pesagem tinha como propósito pesar o peixe e também de servir de cálculo para o pagamento do dízimo à Igreja. No mesmo ano, os pescadores foram informados por um oficial da marinha que o pagamento não era obrigatório. Eles não se permitiram continuar com a negociação da Igreja com a Casa do Peso e tomaram a decisão de não mais realizar o pagamento do dízimo, que vinha sendo cobrado.


Afirma Porto Filho (2009) que a coragem dos pescadores em não pagar o dízimo foi considerada um insulto pelo padre Arthur Afrânio Peixoto, recém empossado no cargo de pároco do Rio Vermelho (1918-1929), que não gostou de deixar de receber o tributo, promovendo retaliações e jogando a Prefeitura contra os pescadores. Com o passar do tempo, a crise foi contornada e a paz restabelecida: os pescadores não voltaram a pagar o dízimo, mas tiveram que deixar a casinha, que ficava em uma área de domínio da Paróquia, criada em 1913.


Os pescadores construíram uma nova Casa do Peso, com autorização da Marinha, no próprio terreno da marinha, ao lado do forte do Rio Vermelho, que existia na época. Era uma casa simples, com apenas 11,60 metros quadrados. A partir de 1919, os pescadores passaram a guardar na nova Casa a balança e alguns aviamentos utilizados na pesca.


Construída em 1919, a Casa do Peso permaneceu com o seu entorno inalterado por meio século. Em 1969, com as gestões de Flaviano dos Santos junto à Superintendência de Turismo de Salvador (Sutursa), na administração do prefeito Antônio Carlos Magalhães, foi construída a muralha de pedra que permitiu o nivelamento e a urbanização da área, segundo Porto Filho (2009).


A muralha foi a base para duas novas intervenções. A primeira, em 1972, por iniciativa de Dorival Caymmi e Jorge Amado, com a intermediação do vereador Dário Valois dos Santos junto à prefeitura, na gestão de Clériston Andrade, incluiu a transformação da Casa do Peso em Casa de Yemanjá e a construção de uma nova Casa do Peso anexa à Casa de Yemanjá. No mesmo local foram construídos também um banheiro, um vestiário e uma peixaria.


A segunda intervenção ocorreu em janeiro de 1988, por solicitação da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (AMARV), presidida por Ubaldo Marques Porto Filho. Teve como intervenientes, junto ao prefeito Mario Kertész, o vereador Ednaldo de Souza Santos e o empresário Sidney Rezende.


Segundo Porto Filho (2009), foram executadas expressivas melhorias, tais como: ampliação da Casa do Peso; construção de 52 armários para pescadores; um depósito para material de pesca; um salão administrativo para a Colônia de Pesca Z-01 (junto à nova Igreja de Nossa Senhora de Sant’Ana); e um quiosque público entre a Igreja Matriz e a Casa de Yemanjá.


Foi na Casa do Peso que nasceu o Presente da Mãe d´Água, em dois de fevereiro de 1924. Com o crescimento do evento, que inclusive mudou de nome, passando a ser Festa de Yemanjá, a “casinha dos pescadores”. como era chamada, também mudou. Deixou de abrigar os apetrechos da pesca profissional para ter uma função exclusivamente religiosa em 1972, com a designação Casa de Yemanjá. Ganhou, inclusive, uma pequena gruta, idealizada pelo líder dos pescadores, Flaviano dos Santos.


Aos 83 anos, o pescador Eustáquio Bernardino de Sena, um dos fundadores da festa do dia dois de fevereiro, deu o seguinte depoimento ao jornal Tribuna da Bahia, publicado na edição de 14 de dezembro de 1970: “A festa foi feita pela primeira vez em 1924, por 29 pescadores,


dos quais apenas quatro ainda estão vivos: eu, Pedro Moita, José Moita e Sibem Moita”. Em 1924, o dia dois de fevereiro caiu num sábado. A festa foi aberta com uma missa na igreja de Senhora Sant’Ana, a santa da devoção dos pescadores do Rio Vermelho. Eustáquio contou também que, logo após a missa, num saveiro que partiu do porto de Santana, um grupo de pescadores levou o primeiro presente da Mãe d’Água.


A Casa de Yemanjá transformou-se num local sagrado, em centro de visitações diárias dos adeptos do culto dessa divindade do Candomblé. Tornou-se também uma atração para os turistas face à fama da festa de dois de fevereiro. Nesse dia, além da fila para a entrega dos presentes no barracão (caramanchão), o povo faz fila para visitar a Casa de Yemanjá. Milhares de pessoas passam pela “casinha” onde pedem a benção e a proteção da Senhora do Mar.


Também Martins (2008) afirma que a antiga Casa do Peso, onde os pescadores sempre pesavam a pescaria, foi se transformando na Casa de Yemanjá; lá as pessoas formaram filas enormes para nela entrarem, com o objetivo de ver, e até de tocar nos objetos que simbolizam Yemanjá, e para pedir-lhe a benção.


Um exemplo de respeito e fé ao Orixá ocorreu na noite de 11 de dezembro de 2001, quando foi sequestrado, na cidade de São Paulo, o empresário paulista Washington Olivetto, presidente da W/Brasil e um dos ícones da publicidade mundial, que, no cativeiro, redigiu uma mensagem para Yemanjá.


Na pagina 471 do livro “Na Toca dos Leões, a história da W/Brasil, uma das agências de propaganda mais premiadas do mundo”, o biógrafo Fernando Morais transcreveu essa mensagem na íntegra, donde foi extraído o trecho final, que dizia: Hoje, dois de fevereiro é dia de Iemanjá, rainha dos mares. Que Iemanjá abençoe todos nós e que nos leve a todos no rumo certo. Tenho certeza de que nesse momento muitos estão orando por todos nós, para que isso se acabe em paz, amor e harmonia. Se houver algo que possamos fazer ainda hoje, por favor me digam.


Na Umbanda, cultua-se Yemanjá como orixá geral, sem referência a qualidades, pois nesta religião, em que as principais entidades do cotidiano do culto não são os orixás, mas os caboclos, pretos-velhos e outros encantados, as referências míticas às divindades africanas como seus rituais específicos foram grandemente diluídos.


Segundo Vallado (2008), em Cuba, a imagem de Yemanjá compõe um quadro com vestido azul e longos cabelos negros. Rosas azuis, estrelas e pérolas caem da sua mão. Ela anda sobre as ondas numa noite de meia lua. É uma imagem usada também na Umbanda.


Com essas informações, registramos em um vídeo documentário a história da Casa de Yemanjá, com os seus pescadores e adeptos do Candomblé, a festa de dois de fevereiro, o presente da Mãe d‘Água, a peixaria da colônia Z-1 e o turismo em torno dos festejos de Yemanjá, no bairro do Rio Vermelho, que traduzem a força que Yemanjá tem na religiosidade e na cultura afro-brasileira, independentemente de posição social ou intelectualidade das pessoas.




CONCLUSÃO


Começamos aqui uma súmula dos conceitos sobre uma produção documentária, uma narrativa do modo de fazer cinema documentário. Encontramos uma forma didática para a representação documentária com um diversificado panorama sobre as principais questões do assunto escolhido – A História da Casa de Yemanjá – com ilustrações de arquivo e imagens de fundo inédito. Foi feita a contextualização com uma proposta formulada pelo autor e a sua visão determinada do assunto escolhido.


A afirmação de que a ficção possibilita a separação da realidade e o documentário é a não-ficção, ou melhor, a verdade propriamente dita, não é verdadeira. Existem formas que possibilitam a junção dos dois opostos, uma que a ficção faz parte do nosso imaginário. Fazer cinema-ficção é transformar a nossa imaginação em sensações de verdade. Nós ficamos com medo em filmes de terror, choramos em dramas, sorrimos com comédias e nutrimos uma sensação masoquista em um belo suspense. Com a não-ficção também isso pode ser possível!


Fazer um vídeo documentário é trazer autenticidade do tema escolhido, realismo, verossimilhança em suas histórias. Acreditamos que vemos naquilo que foi documentado um novo ponto de vista.


Quando acreditamos naquilo que foi visto em um vídeo documentário, tornamo-nos testemunhos da história projetada. Os depoimentos nos fazem perceber como é o mundo e ou a maneira como poderíamos agir nele. Vemos um mundo documental com suas imagens e depoimentos, daí percebemos um novo universo mais claro na nossa percepção.


Percebemos que os vídeos e filmes documentários nos mostram o mesmo fascínio e a mesma emoção que temos ao ver um filme de ficção. Fazer um documentário é dar voz própria às nossas idéias, é abordar assuntos de consenso ou solução social, enfatizando os problemas e as características do assunto abordado.


Qualquer filme é um documentário. Seja por satisfação de desejos, como os de ficção ou por representação social não-ficção, com suas histórias e narrativas que diferenciam a forma de mostrar a história. Os filmes de ficção expressam os nossos desejos e sonhos, temores e pesadelos. Transformam e concretizam de forma visível e auditiva a nossa imaginação. Faz-nos deliciar com a possibilidade de sair desse mundo que nos cerca para outros mundos.


Os documentários de não-ficção, como são chamados os de representação social, nos mostram de forma clara o mundo real que ocupamos e compartilhamos, restituindo de forma visível e audível a realidade social.



CARTAZ DO FILME


FIGURA UTILIZADA NO FILME





FICHA TÉCNICA:


Diretor: Luciano Lucci Ramos

Duração: 52 min.

Ano de produção: 2010

País: Brasil

Gênero: Documentário

Cor: Colorido











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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ENCONTRO CINEMATOGRÁFICO: LUCIANO LUCCI RAMOS & SYLVIO BACK



Na época em que assisti pela primeira vez ao documentário “A Revolução de 30”, ou melhor, “docudramas”, como se refere Sylvio Back, natural de Blumenau, Santa Catarina, poeta, roteirista, escritor e cineasta, filho de imigrantes húngaro e alemã, eu não tinha muito conhecimento sobre os acontecimentos ocorridos na política da década de 30.



Era muito garoto para despertar tanto interesse sobre o assunto. Porém a forma documental que Back expressou foi contagiante o que me levou, a partir daquele momento, a curiosidade de conhecer com mais exatidão a sua obra cinematográfica.


Tive uma oportunidade de ver há algum tempo o primeiro longa-metragem do Sylvio Back, “Lance Maior”, que foi exibido nos cinemas em 1968, uma obra-prima que retratava a juventude paranaense dos anos 60, além de ter tido a honra de ler o seu roteiro num livro autografado pelo poeta do cinema nacional.



Assisti a alguns filmes do cineasta a exemplo de A Guerra dos Pelados (1971), Aleluia Gretchen (1976), Guerra do Brasil (1987), Rádio Auriverde (1990), Cruz e Souza - O Poeta do Desterro (1998), Lost Zweig (2002)  e seu último filme O Contestado - Restos Mortais (2010) foi exibido na Cinemateca de Curitiba-PR seguido de um debate sobre a obra do autor, com a presença do cineasta.

 

O Contestado – Restos Mortais. Documentário de Sylvio Back. 118 min. Cor/PB. Foto de Antonio Luis Mendes.



Cartaz do primeiro longa-metragem do Dylvio Back "Lance Maior" 1968. PB. 100min.

Elenco: Reginaldo Faria, Regina Duarte, Irene Stefânia, Isabel Ribeiro, Lourdes Bergmann ,Sergio Bianchi, Doralice Bittencourt, Maria Rosa Carvalho, Cecília Christo, Edson D'Ávila, Luiz Hilário, Ileana Kwasinski , Esmeralda Magno, Sônia Mara, Marília Pêra, Lota Moucada , Roberto Murtinho , Joelde Oliveira , Nicolau Ramos , Odelair Rodrigues , Maurício Távora , Lucio Weber , Fernando Zeni




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