segunda-feira, 19 de maio de 2014

FILME: GATA VELHA AINDA MIA POR LUCIANO LUCCI RAMOS



Quando parti em direção ao cinema para assistir ao filme “Gata Velha Ainda Mia”, deletei todos os trabalhos que tinha na minha memória com relação a extraordinária atriz Regina Duarte. A imagem de Namoradinha do Brasil ou da fogosa viúva Porcina, “aquela que foi, sem nunca ter sido”, simplesmente evaporou com a sua primeira cena do filme. Regina Duarte é um dos rostos mais lindos que a televisão brasileira já teve, além do carisma, e isso é mérito dela! Por sua expressiva beleza, artística e intelectual, a atriz entrega-se a total falta de vaidade para compor a sua personagem descartando a maquiagem. Gata Velha Ainda Mia, com direção e roteiro de Rafael Primot, é um filme dramático, que vai modulando em um thriller psicológico, tenso e surpreendente, com um incomum desfecho de deixar sem folego o expectador. Depois de uma abstinência de 17 anos, a escritora Glória Polk, renomada no Brasil e no exterior por seu livros voltados para as questões femininas, fez muito sucesso nas décadas de 60, 70 e 80, mas isso foi no passado distante da sua atual realidade a qual ela dedica-se a voltar ao mercado editorial com um novo livro. Vivida majestosamente por Regina Duarte, a personagem abre a porta do seu apartamento para receber a entusiasta jornalista Carol, interpretada brilhantemente por Bárbara Paz. Existe entre as personagens um choque impetuoso de gerações e um consumo irônico que traz uma atmosfera densa entre a jovem e insegura jornalista, Carol (Paz), e a madura escritora em decadência Glória Polk (Duarte). Por um momento lembrei do filme “O Que Terá Acontecido com Baby Jane?”, pois Regina Duarte e Bette Davis tem tudo em comum na arte de interpretar um personagem com diálogos secos e certeiros, porém inteligentes e perspicazes. Sem publicar no mercado editorial por um longo período, a personagem Glória (Duarte) é amarga, arrogante, decadente, sistemática e afetivamente carente. Com colóquio bem elaborado, o filme prende o espectador até os minutos finais da trama. Impera uma fotografia quente e com muitas cenas em close-up, para identificar cada expressão dos personagens. Assim extravasa os sentimentos e ressentimentos de cada um deles. A tensão entre as duas mulheres vai crescendo gradativamente pelo fato da escritora não separar a realidade da ficção e, consequentemente, o fluxo de consciência em alto tom de voz provocada pelas emoções forma um tenso duelo, confrontando suas forças e compartilhando os mais íntimos segredos. E para completar, um ambiente de claustrofobia total no apartamento com muitas trovoadas, leva ao terror. Outro ponto marcante é o clima de sedução entre a reclusa escritora e a jornalista, envolvendo sentimentos homossexuais entre as próprias, acompanhada da música "Lágrimas Negras", na doce voz de Gal Costa. Gata Velha Ainda Mia é um filme inovador na produção do cinema nacional.

Detalhe: Regina Duarte assombrou no papel da Glória Polk. Grande atriz!!



                      

 Foto:divulgação


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