quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

RITA LEE POR LUCIANO LUCCI RAMOS


Quando garotinho eu vi no programa "Globo de Ouro" a Rainha do Rock pela primeira vez cantando a música "Ovelha Negra". Ela estava linda, cheia de luz, com um vestido esvoaçante, delicada como a brisa. Rita Lee fascinou minha vida a partir daquele momento. Lembro-me da pergunta que fiz ao meu amiguinho invisível: será que é uma fada mágica? A resposta veio imediatamente, sim, é a Rita Lee.

Depois daquele dia todas as noites o dentinho da esperança dormia debaixo do meu travesseiro. Quem disse que fada mágica não existe? A cada ano surgia uma nova magia: “Entradas e Bandeiras”, “Babilônia”, “Rita e Roberto” e a mais bela das fadas fez aglutinar sua música pelo resto da minha vida.

Morando na Bahia, tive pouco acesso à Estrela Rita e a primeira tentativa de ir ao show foi em Refestança, que infelizmente meus pais disseram “criança não entra”. Época dura da ditadura! Nossa... foi estrada... contava nos dedos o dia de fazer dezoito anos para dar um “Lá Vou Eu” pra todos. “Ovelha Negra não existe e a Rita não gosta de acarajé...” era o que todos diziam.

Mas a Rita veio com o Circo e eu tive a oportunidade de ter o tão sonhado autógrafo através de um ser impiedoso (vizinho), que propôs trocar a minha bicicleta Monark pelo autógrafo que ele havia conseguido com a produção do Circo da Rita. Não pensei duas vezes... Três anos depois o “Bobo da Corte” descobre que o pedacinho de papel guardado a sete chaves era falso. Eu ainda não tinha dezoito anos!

Finalmente, a Rita Lee veio com o novo show e fui cedinho para o Clube para vê-la flutuar pelo palco, literalmente vestida de Peter Pan. Meu primeiro encontro com a Rainha do Rock foi no "Pic Nic" interplanetário na Concha Acústica. Me senti no regolito, solo lunar, saí do corpo, transbordei de alegria...de repente fiquei com sete anos de novo! Foram trinta e três anos de espera acreditando sempre “Que o universo segue o rumo que todos nos escolhemos”, como diz a Rita na sua composição musical “O Toque’.

São quatro décadas e dois anos de músicas, emoções e sonhos para relatar “Esse Tal de Roque Enrow”. Afinal, são “Coisas da Vida” e daria uma enciclopédia para dizer tudo o que eu sinto por ela. Rita Lee é o “Fruto Proibido” da nossa história musical. Por ser capaz de dar o paraíso a nós fãs e com certeza aos extraterrestres que voam à velocidade da luz pelo espaço com seus discos voadores, contemplando suas músicas. Às vezes me pergunto se a Rita Lee é desse mundo ...”E Você Ainda Duvida” ?

Fada mágica ou Rainha do Rock, Rita Lee é a mais completa tradução. Mas vamos agradecer a “Mamãe Natureza” por essa beldade musical.



































Foto: Luciano Lucci Ramos




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